Microfone cardioide é o microfone que capta bem o som que vem da frente, capta pela metade o que vem dos lados e quase nada do que vem de trás. O nome vem do desenho dessa área de captação: visto de cima, ele tem a forma de um coração — kardia, em grego. É o padrão mais comum do mercado. Se você tem um microfone de mesa para podcast, um microfone de mão ou um microfone em cima da câmera, a chance de ele ser cardioide é grande.
Na prática, isso quer dizer uma coisa simples: o microfone cardioide tem frente e tem costas. Apontado para a sua boca, ele valoriza a sua voz e deixa em segundo plano o ventilador, a rua e o teclado que estão atrás dele. Apontado para o lado errado, ele grava o ventilador e deixa você em segundo plano. O resto desta página explica o que muda na gravação por causa disso, como descobrir se o seu é cardioide e quando ele é a escolha errada.
O que é microfone cardioide, em três números
O jeito mais claro de entender um cardioide é olhar quanto ele capta de cada direção, comparado com o som que vem de frente:
- De frente (0°): captação cheia. É para onde a sua boca deve apontar.
- Dos lados (90°): cerca de metade do sinal, uma queda de aproximadamente 6 dB. Ainda se ouve, só que mais baixo.
- De trás (180°): quase nada. É o ponto cego do microfone, e é onde deve ficar a fonte de ruído que você quer evitar.
Esse desenho tem uma consequência que pouca gente conhece: num cômodo com eco, o cardioide capta só cerca de um terço do som que chega de todas as direções ao mesmo tempo, comparado com um microfone que ouve igual para todos os lados. É por isso que ele “limpa” a sala — não porque filtra ruído, mas porque simplesmente não está ouvindo a maior parte dela.
Como saber se o seu microfone é cardioide
Três jeitos, do mais rápido para o mais seguro:
- Procure o símbolo no corpo do microfone ou na caixa. O padrão polar costuma vir desenhado: um coração de cabeça para baixo (parece uma maçã) é cardioide; um círculo é omnidirecional; um “8” é bidirecional.
- Leia a ficha técnica. O item se chama “padrão polar” ou “diretividade”. Se diz cardioid ou cardioide, está resolvido.
- Faça o teste da volta. Grave falando de frente para o microfone, a um palmo de distância. Depois dê a volta e fale para as costas dele, na mesma distância e no mesmo volume. Se a voz de trás saiu bem mais baixa e mais abafada, ele é direcional. Se saiu igual, ele é omnidirecional.
Uma pegadinha nos microfones de mesa: muitos são de captação lateral. Você fala no lado do corpo do microfone, não na ponta. Quem fala na ponta de um microfone desses está falando para o lado dele — e grava com metade do sinal. O manual ou o logotipo da marca na frente da grade costumam indicar qual é o lado certo.
Cardioide ou omnidirecional: a pergunta certa
A intuição diz que o cardioide é sempre melhor, porque “rejeita ruído”. A pergunta que decide é outra: a sua boca fica parada em relação ao microfone?
Use cardioide quando a posição é fixa. Podcast sentado, locução, live, aula gravada na mesa. Você fica na frente dele, o ruído fica atrás, e a rejeição trabalha a seu favor o tempo todo.
Use omnidirecional quando a posição muda. É por isso que quase toda lapela é omnidirecional — e muita gente acha que é economia do fabricante. Não é. A lapela fica presa na roupa enquanto a cabeça vira para os lados. Se ela fosse cardioide, a sua voz cairia de volume toda vez que você olhasse para o lado. Sendo omni, o volume fica constante, para onde quer que você vire.
Os outros padrões aparecem menos, mas vale reconhecer:
- Supercardioide e hipercardioide — frente mais estreita que o cardioide, bons para isolar uma voz. Mas eles voltam a captar um pouco diretamente por trás. Apontar as costas deles para o ruído, como se faz com um cardioide, pode piorar em vez de melhorar: o ponto cego deles fica na diagonal de trás, não no centro.
- Bidirecional (figura 8) — capta frente e costas e rejeita os lados. Serve para entrevista com duas pessoas frente a frente, num microfone só.
- Shotgun (direcional de câmera) — o mais fechado de todos, feito para captar a distância. É ele que vai na vara ou em cima da câmera.
Os dois casos em que o cardioide atrapalha
1. Quando você está perto demais
Microfones direcionais têm uma característica que os omnidirecionais não têm: quanto mais perto a boca, mais grave eles reforçam. Chama-se efeito de proximidade. É ele que dá o som encorpado de locutor de rádio, que fala a poucos centímetros de um cardioide de propósito.
O problema é o excesso. Colado na grade, a voz fica estufada, abafada, com os “p” e “b” estourando. Antes de mexer em equalizador, faça o mais simples: afaste dois ou três dedos e grave de novo. Na direção contrária, se a voz está fina e distante, aproxime — o corpo volta sem plugin nenhum.
Um ponto de partida que funciona para voz falada num cardioide de mesa: entre 10 e 20 cm da boca, um pouco fora do eixo, apontado para o canto da boca em vez de direto para ela. Isso tira o sopro sem perder a frente da captação.
2. Quando o ruído não está atrás dele
O cardioide só rejeita o que está nas costas dele. Se o ar-condicionado fica atrás de você, o microfone — que aponta para a sua boca — está apontado também para ele, logo depois da sua cabeça. O mesmo vale para a janela da rua e para o computador com ventoinha barulhenta.
E tem o eco. A reverberação do cômodo não vem de uma direção só, vem de todas. O cardioide reduz uma parte e o resto chega pelas laterais, mais abafado. Por isso um cardioide numa sala vazia, de paredes lisas, ainda soa com eco — só que um eco mais esquisito.
A solução para sala ruim nunca foi o padrão polar. É a distância. Cada vez que você corta pela metade a distância entre a boca e o microfone, a voz sobe cerca de 6 dB em relação ao som da sala. Nenhuma troca de padrão polar entrega isso. Na ordem de prioridade: primeiro chegue mais perto, depois vire as costas do microfone para o ruído, e só então pense em trocar de microfone.
Qual padrão escolher para cada situação
- Podcast, locução e live sentado — cardioide, de 10 a 20 cm da boca, com as costas viradas para o ruído principal do cômodo.
- Vídeo em que você aparece e se mexe — lapela omnidirecional, presa no peito, a um palmo do queixo.
- Entrevista com duas pessoas e um microfone — bidirecional, uma pessoa de cada lado.
- Gravação na rua ou a distância, com a câmera — shotgun ou supercardioide, sempre apontado para quem fala.
- Som do ambiente inteiro, ensaio de banda, reunião em volta da mesa — omnidirecional.
Alguns microfones têm padrão comutável, com uma chave que alterna entre cardioide, omni e figura 8. É prático para quem grava formatos diferentes. Para quem grava sempre a mesma coisa, um microfone de padrão fixo bem escolhido rende tanto quanto.
Depois de escolher, o ajuste
Escolher o padrão certo é metade do caminho. A outra metade é o nível de gravação: um cardioide bem posicionado ainda grava mal se o volume estiver estourando ou baixo demais. Se você grava ou transmite pelo computador, o guia para configurar o microfone no OBS mostra o nível certo e a ordem dos filtros. Se grava no celular com microfone sem fio, o passo a passo de como ligar microfone sem fio no celular traz o teste de 30 segundos que confirma de onde o áudio está vindo.
Na loja oficial da Saramonic Brasil você encontra microfones cardioides de mesa, lapelas omnidirecionais com e sem fio e microfones direcionais para câmera, com garantia oficial no Brasil.




